A
corrupção é a grande questão do município, o assunto é discutido em todos os
lugares. Não é um assunto novo. Na realidade trata-se de um mal endêmico da
sociedade brasileira, uma enfermidade pertinaz que há muito acomete o frágil
organismo social no qual vivemos. Por esta razão governantes se elegeram com a
bandeira da luta anticorrupção. Foi assim com Jânio Quadros, foi assim com Collor.
Deu no que deu. Não é coincidência eu falar sobre isso enquanto observarmos os
discursos que adotou o atual prefeito e seu pai; mais uma vez digo – deu no que
deu. O pai já foi cassado e ao que tudo indica o filho enfrenta problemas
semelhantes, e além de ter um governo frágil é obrigado a lidar com processos
que põem em questão a sua honestidade e honra.
O
que mais me aflige é ver as pessoas em trânsito com toda essa sujeira
sem admitir o evidente. Caminham impassíveis diante da atrocidade da corrupção,
desse modo isso se torna uma questão moral. Prosseguir por entre esses sintomas
vivos da crise estrutural dionisiana e encarar o fato como natural, um elemento
a mais da paisagem ou simplesmente ficarem indiferentes, faz de vocês
partícipes do mesmo sintoma coletivo, ou seja, cúmplices!
O que dizer de uma sociedade em que o ‘patrão’ perverso passa a ser a regra do jogo chancelada socialmente? À nossa volta o sistema de saúde está falindo, as crianças não conseguem aprender bem na escola, esta que se tornou um imenso cabide de empregos, o gasto com as contratações de funcionários está deixando o nosso sistema público inchado e por quê? Porque as pessoas não se importam a quantas andam o orçamento público e o sistema como um todo contando que se tenha um emprego. Existe maior prova de egoísmo??? Tudo isso enquanto a cada dia nossos governantes se esbaldam cada vez mais em festas de luxo. A corrupção e a impunidade se proliferam como ideologia – e, pior, com uma multidão de adeptos!
Quando
se chega a um estado de coisas como estas, quando os valores perdem consistência
e credibilidade, quando o escancarado se torna transparente aos nossos olhos é hora
de convocar a ética para o centro do debate.
Todas
essas questões me deixam perplexo, amargurado – estamos nós diante de uma
doença incurável? Uma forma de parasitismo que não pode ser erradicada?
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