sexta-feira, 1 de março de 2013

Nós não estamos mudos.


2008 não foi o ano zero de uma nova era da modernidade no município de Dionísio. Esse processo foi-se construindo ao longo de duros anos, nos quais tivemos uma sucessão de falhas administrativas cada vez mais escancaradas pelos partidos que compunha a base aliada do ex-prefeito cassado, José Henriques Ferreira.

Parte da história desse município já foi narrada aqui várias e várias vezes, mas eu não me canso de relembrar o fervor com que as passeatas tomaram as ruas, a auto confiança que saltava aos olhos dos cidadãos quando JHF deixou a prefeitura definitivamente em 2008. Temos que reconhecer que boa parte da atualidade cultural e pensante da nossa cidade começou a brotar ali. Foram inúmeros projetos financiados pela prefeitura na gestão do Weber Americano que visavam o total apoia à cultura e educação de modo a garantir o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação municipal. Uma cidade sem expressão cultural não tem identidade.

Se jogarmos luz sobre o nosso passado imerso nas sombras ainda não conseguiria compreender a vontade voraz de parte da população que bradou pela volta da política arcaica dos tempos do cassado, mas se optarmos olhar por uma ótica individualista podemos supor que foi o egoísmo de uma minoria, a manipulação por massa de manobra de outro grupo e a demência coletiva que elevaram o Frederico Henriques ao posto político mais alto do município. O que há de errado com a nossa população? O que dizer de uma cidade que sofre de amnésia crônica onde de 4 em 4 anos nos esquecemos dos últimos 4 anos?

Muito se falou em reforma e renovação em função da pouca idade do atual prefeito, mas na prática não pude ver essas ações se concretizarem. Muito pelo contrário, aliás. De todo modo eu acho que ele nos ensinou, sem querer, que uma geração não é feita pela idade, mas pela afinidade. Não importa quantos anos o indivíduo tenha, mas as lutas sociais, políticas e ideológicas em que ele se empenha. Frederico não passa de um pequeno burguês filhinho de papai e do poder.

Talvez a reconstrução dos fatos aliada a uma análise crítica pode nos dar a impressão que Weber conduziu uma “revolução” falida, pois ambicionou uma revolução total, mas não conseguiu mais do que uma revolução temporária. Lutando pela devolução dos sonhos numa sociedade que se encontrava estática perante tanta roubalheira, porém, ele não sabia talvez, que estava sendo salvo historicamente pela ética. O conteúdo moral é a melhor herança que a administração Novos Rumos poderia deixar para o município cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética.

A fala psicodramática proferida pelo JHF ainda povoa o meu imaginário. Alguém explica pra ele que varrer a sujeira para debaixo do tapete, como se fez tantas vezes, não é mais possível. Não há tapete suficiente para acobertar tanto lixo. Nem adianta tentar transferir a culpa pela sua incompetência para a administração anterior, esta que cumpriu os prazos e promessas que foram firmados anteriormente. JHF tenta ministrar e enfiar goela abaixo da população uma droga ideológica, sem objetividade. Sempre apoiei a existência de uma oposição, mas ela tem que ser coesa, decente e ética, tudo o que os tucanos não são.

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