2008 não foi o ano zero de
uma nova era da modernidade no município de Dionísio. Esse processo foi-se
construindo ao longo de duros anos, nos quais tivemos uma sucessão de falhas
administrativas cada vez mais escancaradas pelos partidos que compunha a base
aliada do ex-prefeito cassado, José Henriques Ferreira.
Parte da história desse
município já foi narrada aqui várias e várias vezes, mas eu não me canso de relembrar
o fervor com que as passeatas tomaram as ruas, a auto confiança que saltava aos
olhos dos cidadãos quando JHF deixou a prefeitura definitivamente em 2008.
Temos que reconhecer que boa parte da atualidade cultural e pensante da nossa
cidade começou a brotar ali. Foram inúmeros projetos financiados pela
prefeitura na gestão do Weber Americano que visavam o total apoia à cultura e
educação de modo a garantir o direito à memória e à verdade histórica e
promover a reconciliação municipal. Uma cidade sem expressão cultural não tem
identidade.
Se jogarmos luz sobre o
nosso passado imerso nas sombras ainda não conseguiria compreender a vontade
voraz de parte da população que bradou pela volta da política arcaica dos
tempos do cassado, mas se optarmos olhar por uma ótica individualista podemos
supor que foi o egoísmo de uma minoria, a manipulação por massa de manobra de
outro grupo e a demência coletiva que elevaram o Frederico Henriques ao posto
político mais alto do município. O que há de errado com a nossa população? O
que dizer de uma cidade que sofre de amnésia crônica onde de 4 em 4 anos nos esquecemos
dos últimos 4 anos?
Muito se falou em reforma
e renovação em função da pouca idade do atual prefeito, mas na prática não pude
ver essas ações se concretizarem. Muito pelo contrário, aliás. De todo modo eu
acho que ele nos ensinou, sem querer, que uma geração não é feita pela idade,
mas pela afinidade. Não importa quantos anos o indivíduo tenha, mas as lutas
sociais, políticas e ideológicas em que ele se empenha. Frederico não passa de
um pequeno burguês filhinho de papai e do poder.
Talvez a reconstrução dos
fatos aliada a uma análise crítica pode nos dar a impressão que Weber conduziu
uma “revolução” falida, pois ambicionou uma revolução total, mas não conseguiu
mais do que uma revolução temporária. Lutando pela devolução dos sonhos numa
sociedade que se encontrava estática perante tanta roubalheira, porém, ele não
sabia talvez, que estava sendo salvo historicamente pela ética. O conteúdo moral
é a melhor herança que a administração Novos Rumos poderia deixar para o
município cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de
ética.
A fala psicodramática
proferida pelo JHF ainda povoa o meu imaginário. Alguém explica pra ele que varrer a sujeira para
debaixo do tapete, como se fez tantas vezes, não é mais possível. Não há tapete
suficiente para acobertar tanto lixo. Nem
adianta tentar transferir a culpa pela sua incompetência para a administração
anterior, esta que cumpriu os prazos e promessas que foram firmados anteriormente.
JHF tenta ministrar e enfiar goela abaixo da população uma droga ideológica,
sem objetividade. Sempre apoiei a existência de uma oposição, mas ela tem que
ser coesa, decente e ética, tudo o que os tucanos não são.
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