domingo, 24 de março de 2013

A disputa política fala mais alto que o interesse coletivo.


Por mais contraditório que possa parecer eu vejo que nós alcançamos uma ‘ditadura-democrática’. Isso ocorre, pois colocamos no poder pessoas que não nos representam, apenas representam os próprios interesses e conceitos de modo a tornar obrigatória a sua aceitação. Como são poucos os que se importam em aprofundar nessas análises o município vai continuar assim.

Recordo-me que quando Weber assumiu a prefeitura as obras do asfalto na Serra do Luar tiveram inicio quase imediatamente à sua posse, enquanto o atual governo está mais preocupado em justificar o próprio fracasso e incompetência. Frederico, uma pessoa com um cargo público com poder de decisão (que deveria garantir que os direitos fossem válidos a todos os cidadãos) não poderia nunca se deixar influenciar pelo seu pai dando-o voz para profanar imbecilidade como ele sempre o fez. Age, dessa forma, não para fazer valer o Estado de Direito, mas sim para incentivar a intolerância, empurrando a sociedade para o precipício, baseado em uma formação individual extremamente deficiente.  Verbalizam a visão de uma parte da sociedade que, mal informada, reproduz processos que mantém o egocentrismo como preceito base da política.

Ele representa não apenas uma parcela da população (o que me abisma), mas também do poder público (o que me deprime). E que sirva como alerta – se a memória do saque não se tornar um patrimônio dos dionisianos, a cidade poderá repetir a história, que a meu ver, já está acontecendo.

De todo modo, a (justa, necessária, fundamental) queda de José Henriques Ferreira não levou embora as posições que ele defende, porque elas também não pertencem a ele. Os nossos representantes nos parlamentos municipal e estadual, quer gostemos ou não, são um espelho de parte de nós e esses posicionamentos continuarão incorporados por outros eleitos ou reeleitos que comungam das mesmas ideias dos que hoje ocupam o poder.

Tenho esperança de que, um dia, com muito DIÁLOGO e paciência, a composição dos parlamentos mostre um reflexo melhor. Um do qual não sintamos tanta vergonha.

*Dou ênfase ao diálogo, pois nas últimas eleições senti falta do debate, do confronto direto e supervisionado das propostas e ideologias dos candidatos. Gostaria muito que alguém prestasse esclarecimento sobre a ausência do mesmo. Isso empobreceu muito a campanha eleitoral.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Câmara Comentada.


O projeto que previa aumento de salário para alguns funcionários, entre outras coisas, enviado à Câmara Municipal da cidade, não chegou a ser discutido na reunião da última segunda-feira, dia 18. Isso porque o mesmo projeto havia sido enviado alguns dias antes(com algumas alterações) em caráter de urgência e foi reprovado. Na ocasião, quatro vereadores votaram contra e três votaram a favor. Votaram contra: Ivanise Cristina Vieira de Castro, Ailton Artuso, Pelé Bicalho e José Ronaldo Mendonça. Votaram a favor: Geraldo Jesus de Araújo(Dinho Farias), Claudeir da Silva, Ângelo de Souza Castro(Lico)

E para que esse projeto pudesse voltar ao plenário da câmara, seria necessária a aprovação da maioria dos vereadores; seis, no mínimo. Mas tal aprovação esteve longe de acontecer, já que somente três vereadores assinaram em favor da volta do mesmo. Assinaram os vereadores: Dinho Farias, Claudeir da Silva e Lico. Após a negação, esse projeto só poderá entrar novamente em pauta daqui a um ano. 
Em resumo, o projeto reprovado no dia 13 tinha o objetivo de “alterar o quadro geral do plano de carreira, extinguir e criar cargos públicos, alterar níveis e outras providências”. Cortes em funções que segundo o próprio documento, são desnecessários à administração (aproximadamente 17 cargos); criação de novos cargos, em sua maioria na área da saúde; aumento de nível para alguns trabalhadores e consequentemente o aumento de salário; redução de carga horária pela metade (de 40 horas semanais para 20) para um cargo.

A vereadora Ivanise Cristina Vieira de Castro, que foi contra o projeto, argumentou que não o aprovou pois “o aumento deve ser para todos e não para uma minoria favorecida”. Em seguida, o vereador Pelé Bicalho, disse que para um melhor esclarecimento, ele e o vereador José Ronaldo Mendonça convidaram o prefeito, Frederico H. F. C. Ferreira, a comparecer à câmara e esclarecê-los sobre o projeto de lei, as mudanças, o objetivo e a urgência do mesmo. Ainda segundo Pelé, “houve descaso da administração”, pelo fato de o prefeito não ter comparecido à reunião.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O desafio é ser ético.


A corrupção é a grande questão do município, o assunto é discutido em todos os lugares. Não é um assunto novo. Na realidade trata-se de um mal endêmico da sociedade brasileira, uma enfermidade pertinaz que há muito acomete o frágil organismo social no qual vivemos. Por esta razão governantes se elegeram com a bandeira da luta anticorrupção. Foi assim com Jânio Quadros, foi assim com Collor. Deu no que deu. Não é coincidência eu falar sobre isso enquanto observarmos os discursos que adotou o atual prefeito e seu pai; mais uma vez digo – deu no que deu. O pai já foi cassado e ao que tudo indica o filho enfrenta problemas semelhantes, e além de ter um governo frágil é obrigado a lidar com processos que põem em questão a sua honestidade e honra.

O que mais me aflige é ver as pessoas em trânsito com toda essa sujeira sem admitir o evidente. Caminham impassíveis diante da atrocidade da corrupção, desse modo isso se torna uma questão moral. Prosseguir por entre esses sintomas vivos da crise estrutural dionisiana e encarar o fato como natural, um elemento a mais da paisagem ou simplesmente ficarem indiferentes, faz de vocês partícipes do mesmo sintoma coletivo, ou seja, cúmplices!

O que dizer de uma sociedade em que o ‘patrão’ perverso passa a ser a regra do jogo chancelada socialmente? À nossa volta o sistema de saúde está falindo, as crianças não conseguem aprender bem na escola, esta que se tornou um imenso cabide de empregos, o gasto com as contratações de funcionários está deixando o nosso sistema público inchado e por quê? Porque as pessoas não se importam a quantas andam o orçamento público e o sistema como um todo contando que se tenha um emprego. Existe maior prova de egoísmo??? Tudo isso enquanto a cada dia nossos governantes se esbaldam cada vez mais em festas de luxo. A corrupção e a impunidade se proliferam como ideologia – e, pior, com uma multidão de adeptos!

Quando se chega a um estado de coisas como estas, quando os valores perdem consistência e credibilidade, quando o escancarado se torna transparente aos nossos olhos é hora de convocar a ética para o centro do debate.
Todas essas questões me deixam perplexo, amargurado – estamos nós diante de uma doença incurável? Uma forma de parasitismo que não pode ser erradicada?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Nós não estamos mudos.


2008 não foi o ano zero de uma nova era da modernidade no município de Dionísio. Esse processo foi-se construindo ao longo de duros anos, nos quais tivemos uma sucessão de falhas administrativas cada vez mais escancaradas pelos partidos que compunha a base aliada do ex-prefeito cassado, José Henriques Ferreira.

Parte da história desse município já foi narrada aqui várias e várias vezes, mas eu não me canso de relembrar o fervor com que as passeatas tomaram as ruas, a auto confiança que saltava aos olhos dos cidadãos quando JHF deixou a prefeitura definitivamente em 2008. Temos que reconhecer que boa parte da atualidade cultural e pensante da nossa cidade começou a brotar ali. Foram inúmeros projetos financiados pela prefeitura na gestão do Weber Americano que visavam o total apoia à cultura e educação de modo a garantir o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação municipal. Uma cidade sem expressão cultural não tem identidade.

Se jogarmos luz sobre o nosso passado imerso nas sombras ainda não conseguiria compreender a vontade voraz de parte da população que bradou pela volta da política arcaica dos tempos do cassado, mas se optarmos olhar por uma ótica individualista podemos supor que foi o egoísmo de uma minoria, a manipulação por massa de manobra de outro grupo e a demência coletiva que elevaram o Frederico Henriques ao posto político mais alto do município. O que há de errado com a nossa população? O que dizer de uma cidade que sofre de amnésia crônica onde de 4 em 4 anos nos esquecemos dos últimos 4 anos?

Muito se falou em reforma e renovação em função da pouca idade do atual prefeito, mas na prática não pude ver essas ações se concretizarem. Muito pelo contrário, aliás. De todo modo eu acho que ele nos ensinou, sem querer, que uma geração não é feita pela idade, mas pela afinidade. Não importa quantos anos o indivíduo tenha, mas as lutas sociais, políticas e ideológicas em que ele se empenha. Frederico não passa de um pequeno burguês filhinho de papai e do poder.

Talvez a reconstrução dos fatos aliada a uma análise crítica pode nos dar a impressão que Weber conduziu uma “revolução” falida, pois ambicionou uma revolução total, mas não conseguiu mais do que uma revolução temporária. Lutando pela devolução dos sonhos numa sociedade que se encontrava estática perante tanta roubalheira, porém, ele não sabia talvez, que estava sendo salvo historicamente pela ética. O conteúdo moral é a melhor herança que a administração Novos Rumos poderia deixar para o município cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética.

A fala psicodramática proferida pelo JHF ainda povoa o meu imaginário. Alguém explica pra ele que varrer a sujeira para debaixo do tapete, como se fez tantas vezes, não é mais possível. Não há tapete suficiente para acobertar tanto lixo. Nem adianta tentar transferir a culpa pela sua incompetência para a administração anterior, esta que cumpriu os prazos e promessas que foram firmados anteriormente. JHF tenta ministrar e enfiar goela abaixo da população uma droga ideológica, sem objetividade. Sempre apoiei a existência de uma oposição, mas ela tem que ser coesa, decente e ética, tudo o que os tucanos não são.