Todos os dias eu ouço uma música chamada
“Ideologia”, do Cazuza. Acredito que todos conheçam essa obra-prima da MPB. O
sentimento que ela desperta em mim no trecho que diz – “... e aquele garoto que
ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro...” – me faz questionar
qual é o preço de uma ideologia. O problema dos seres humanos, do mais
miserável ao mais abastado, é que todos nós temos o nosso preço. Vejo grandes
nomes da nossa sociedade que se curvam aos maus intencionados em detrimento de
benefícios. Pessoas instruídas que estão dispostas a se abdicar do altruísmo,
pois comungam de uma cegueira opcional. Já eu sou mais ambicioso, é como Darcy
Ribeiro disse – seja razoável, peça o impossível.
Gostaria de saber onde foi parar o sonho
de quem deu a cara à tapa em diversas situações, mas principalmente em
política. O sonho daqueles que, com o coração tranquilo e ideias na mente,
acompanharam os passos dos seus respectivos candidatos.
Onde foi parar o sonho daquele
sindicalista chamado Lula que falava à massa dos corações dos trabalhadores e
preenchia seus discursos com esperança? Recentemente ele fez uma aliança com
Paulo Maluf em São Paulo, este que em tempos de outrora era um inimigo do PT,
hoje se constitui num aliado importante, porque o interesse do ex-presidente é
o poder, não os ideais.
A cidade ideal não se faz com passe de
mágica. O que foi feito na Era Weber em termos de investimento no setor público
é pouco frente ao que desejamos, mas foram passos importantes, firmes e que
produziram resultados que antes desconhecíamos. Quero uma Dionísio melhor,
tanto quanto todos que expressam esse desejo, mas não posso deixar que atitudes
e piadinhas, das quais eu discordo, jorrem pelas redes sociais ou pelas bocas
dos munícipes opositores a todo custo tentando desmerecer um trabalho que
outros (que outrora ocuparam o poder) não produziram, mas insistem em
pejorar.
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